
sentado ereto no banco da igreja fitava o altar onde o padre lia alguma passagem da bíblia que não conseguia ouvir, mas acreditava que o padre devia estar falando de coisas da bíblia, nem mesmo o apocalipse tiraria sua atenção do padre que gesticulava como um exorcista e era assim que se comportava todo domingo quando ia a missa com sua mãe.
nunca prestou atenção nas coisas que falava o padre, preferia pensar suas próprias coisas. não entendia por que tanto alarde quando se falava do diabo, escolheu acreditar que era muito superestimado pelos fiéis, afinal, se foi deus que criou o diabo esse lhe era inferior e não uma força equivalente . pensava nas mulheres que frequentavam a igreja e se alguma valeria a pena de casar-se ou se era apenas para um sexo sem telefonema no outro dia.
era um ignorante de pai e mãe, nunca fora a escola salvo para jogar futebol; preferiu sempre ser educado por quilos de maconha e programas da tv à cabo e até que saia-se bem se a conversa fosse superficial. ignorava quase tudo e quase todos, mas o fato de aviões voarem e navios boiarem com todo aquele peso o deixavam com um pé atrás sobre coisas sobrenaturais.
segurou firme no braço de sua mãe, fez o sinal da cruz e dirigiram-se para a porta da igreja.
o cachorro que esperava uma graça dos fiéis na calçada da igreja pensava porque não escolheu um restaurante para viver sua fé.
